Auxílio, informalidade e escravidão: facetas do trabalho no Maranhão

Mais um 1º de maio onde as celebrações pela conquista e ampliação de direitos dos trabalhadores contrastam com a dura realidade do emprego em nosso estado. Em diversos indicadores e no olhar mais atento ao que nos rodeia, a constatação é uma só: são tempos difíceis para quem quer garantir o mais básico dos direitos.

No Maranhão, o número de atendidos pelo Auxílio Brasil – programa do Governo Federal que substituiu o Bolsa Família – supera, em muito, o número de trabalhadores com carteira assinada. São 529.208 formalizados ante 1.100.451 recebedores do benefício, segundo levantamento realizado no último mês de fevereiro.

Quando se consegue um trabalho, é pela mais frágil das vias. A taxa de informalidade no Maranhão é a maior do país, atingindo 61,6% daqueles que possuem uma ocupação. Além disso, o Maranhão também ostenta o maior percentual de desalentados – pessoas que desistem de procurar emprego após longos períodos de inatividade – com 20,8%.

Os números e indicadores estarrecedores acima levam à grande debandada de força de trabalho maranhense para outros estados. São milhares de pessoas que deixam suas famílias e partem seguindo a primeira oportunidade que lhes é vislumbrada. No entanto, muitas das vezes, aquilo que reluz não representa a esperança de dias melhores.

No último mês de abril, trabalhadores do Maranhão foram resgatados de condições análogas à escravidão no estado de Santa Catarina. Eles foram vítimas do tráfico de pessoas e tiveram as possibilidades de deixar o serviço limitadas, pelo fato de terem dívidas com o aliciador, que administrava a execução do serviço nas propriedades dos empregadores, tendo que atuar diuturnamente na colheita de maçã.

Essa é uma realidade que precisa ser observada, debatida e transformada de maneira efetiva, não apenas com palavras bonitas ou proselitismo político, menos ainda com a ampliação da miséria em forma de cestas básicas e restaurantes populares. É necessária ação efetiva e vontade política. Caso contrário, o 1º de maio seguirá sendo uma data sem se ter, verdadeiramente, o que comemorar.

Deixe uma resposta